‘Tokens de IA são o novo carvão’, diz Palantir
Foi assim que o CTO da Palantir, Shyam Sankar, resumiu a nova corrida da inteligência artificial (IA) durante a divulgação de resultados da empresa — e a frase condensou, em duas linhas, o que pode ser a dinâmica econômica mais contraintuitiva da tecnologia neste momento.
A analogia remete à Revolução Industrial. Para explicar a sua frase, Sankar invocou o chamado Paradoxo de Jevons, teoria formulada em 1865 pelo economista britânico William Stanley Jevons, que observou um efeito inesperado durante a industrialização britânica: máquinas a vapor mais eficientes não reduziram o consumo de carvão na Inglaterra.
A eficiência acelerou a industrialização e a demanda disparou. “Quando os vitorianos construíram máquinas a vapor mais eficientes, todos assumiram que o consumo de carvão cairia. Em vez disso, ele explodiu”, afirmou Sankar.
Existe nisso um paralelo. Segundo a Palantir, um nível de desempenho equivalente ao do GPT-4, que custava cerca de US$ 20 por milhão de tokens no início de 2023, ficou aproximadamente mil vezes mais barato três anos depois.
Pela lógica tradicional, isso deveria reduzir os gastos corporativos com IA. O mercado seguiu na direção oposta.
Os investimentos empresariais em IA generativa saltaram de US$ 11,5 bilhões em 2024 para US$ 37 bilhões em 2025, avanço de 320%, segundo o relatório State of AI Costs, da CloudZero.
Enquanto o custo por token caiu mil vezes, a demanda cresceu em escala ainda maior.
Um artigo acadêmico publicado em janeiro de 2026 pelos pesquisadores Zhang e Zhang descreve esse movimento como um “Paradoxo de Jevons Estrutural”.
A tese é que empresas não utilizam apenas a mesma capacidade computacional de forma mais barata. Com a queda nos custos, elas reformulam suas arquiteturas tecnológicas para consumir volumes muito maiores de processamento.
Na prática, cada ganho de eficiência na infraestrutura amplia o consumo na camada de aplicação.
O efeito já aparece nos orçamentos corporativos. Os gastos com inferência — etapa em que modelos de IA processam pedidos e geram respostas — passaram de cerca de 20% dos custos de IA em 2023 para até 85% em algumas empresas.
original publicado em Exame.com. https://exame.com/inteligencia-artificial/tokens-de-ia-sao-o-novo-carvao-diz-palantir/?utm_source=copiaecola&utm_medium=compartilhamento
