Por que o preço do café arábica está disparando hoje em Nova York?
Os contratos futuros do café arábica (Coffee C) nos EUA dispararam 5,5% nas negociações eletrônicas às 10h17 de hoje (30), atingindo 293,17, depois que a Somar Meteorologia relatou que as chuvas em Minas Gerais – o maior estado produtor de café arábica do Brasil – atingiram 31,3 mm na semana encerrada em 28 de junho. O volume representa impressionantes 1.956% acima da média histórica para o período, desorganizando as operações de colheita e reacendendo temores sobre interrupções no abastecimento de curto prazo.
O cenário de atraso nos trabalhos de campo foi reforçado por dados da Expocacer, que mostraram que a colheita de arábica no Brasil atingiu apenas 27% de conclusão, em comparação com 35% no mesmo estágio do ano passado. O mês de junho acumulou 38,2 mm de chuva, contra apenas 9,2 mm no período equivalente da safra anterior.
O excesso de umidade causou uma queda estimada de 25% dos frutos, gerando preocupações não apenas sobre o atraso na chegada da oferta ao mercado, mas também sobre a qualidade dos grãos já colhidos. Para agravar a ansiedade provocada pelo clima, os estoques certificados de café arábica da ICE caíram para o nível mais baixo dos últimos anos — bem abaixo dos números de um ano atrás —, deixando o mercado físico com pouca margem de proteção contra interrupções na colheita e estimulando a cobertura de posições vendidas (short-covering) entre os traders especulativos.
O complexo mais amplo de soft commodities também reflete preocupações climáticas hoje. Os contratos futuros do açúcar branco atingiram a máxima em 9,5 meses na sessão anterior, impulsionados por temores de ondas de calor na União Europeia e riscos de produção relacionados ao El Niño na Ásia, servindo como um vento a favor para o rali do café arábica.
Fonte: brinvesting
