Produtores enfrentam crise e recorrem à recuperação judicial no agronegócio
O agronegócio brasileiro passou a figurar entre os setores mais pressionados pela crise econômica, com aumento no número de produtores que recorrem à recuperação judicial para reorganizar dívidas.
O cenário é resultado da combinação de fatores macroeconômicos e desafios próprios da atividade rural. Juros elevados, crédito restrito e alta nos custos de produção têm comprimido as margens e dificultado o equilíbrio financeiro no campo.
“A manutenção de juros elevados, aliada à dificuldade de acesso ao crédito, tem comprometido o fluxo de caixa das empresas, especialmente em setores mais expostos a riscos, como o agronegócio”, disse Filipe Denki, advogado e especialista em reestruturação empresarial.
Além disso, a dependência de insumos dolarizados e a instabilidade climática aumentam a vulnerabilidade dos produtores. Perdas de safra e oscilações no mercado tornam o planejamento financeiro mais incerto.
“O aumento de pedidos de recuperação judicial no Brasil decorre de uma crise sistêmica. Isso se soma a fatores econômicos, como a queda nos preços das commodities, enquanto os custos de produção seguiram na direção oposta. Fertilizantes, defensivos agrícolas e combustível consumiram as margens de lucro que antes sustentavam a atividade. Além disso, devemos considerar o vetor climático: quebras de safra provocadas por estiagens severas e enchentes devastadoras comprometeram o planejamento financeiro de muitos produtores rurais”, ponderou Walef Bruno, advogado especialista em reestruturação financeira do produtor rural do escritório João Domingos Advogados. Diante desse cenário, a recuperação judicial tem sido cada vez mais utilizada como alternativa para reorganizar passivos e manter a atividade produtiva.
