PIB do Brasil deve desacelerar no 2º tri e reforçar cortes graduais da Selic
A economia brasileira deve ter desacelerado de um crescimento de 1,1% no primeiro trimestre para 0,4% entre abril e junho, segundo a mediana das expectativas compiladas pela Reuters. Para os economistas, a perda de impulso reflete o enfraquecimento da contribuição da agropecuária e da indústria extrativa, a menor intensidade dos estímulos fiscais e os efeitos dos juros elevados sobre o crédito, o consumo e os investimentos.
Apesar da desaceleração, o resultado ainda deve mostrar uma economia em expansão, sustentada principalmente pela indústria, pelos serviços e por um mercado de trabalho que permanece aquecido. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, a expectativa é de crescimento de 1,8%, mesma taxa registrada nos três primeiros meses deste ano.
Para o Comitê de Política Monetária (Copom), uma alta próxima da mediana confirmaria que os efeitos contracionistas da Selic começam a aparecer de forma mais disseminada. A leitura seria compatível com a continuidade dos cortes de juros, mas não necessariamente com uma aceleração do ritmo, diante do desemprego historicamente baixo, da massa salarial recorde e da resistência da inflação de serviços.
PIB perde força depois de avanço concentrado no início do ano
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará amanhã o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre.
Nos três primeiros meses de 2026, a economia cresceu 1,1% na comparação com o trimestre anterior e 1,8% ante o mesmo período de 2025. O desempenho acima do esperado foi favorecido pela agropecuária, pela produção de petróleo, pelo consumo das famílias e pelos investimentos, segundo os dados do IBGE.
Esse impulso perdeu intensidade entre abril e junho. O Goldman Sachs projeta crescimento de 0,4% no trimestre e de 1,9% na comparação anual. O banco reduziu sua estimativa trimestral em 0,2 ponto percentual após dados mais fracos de atividade, crédito, emprego e renda.
ASA e Itaú BBA esperam uma expansão ligeiramente maior, de 0,5% na margem. Na comparação anual, o Itaú estima crescimento de 2%. Na ponta mais pessimista, Fernando Montero, economista-chefe da Tullett Prebon, projeta alta de apenas 0,1%, segundo reportagem do Valor Econômico.
De acordo com reportagem do Broadcast, o Bank of America calcula avanço de 0,3%, mesma variação apontada pelo Monitor do PIB da Fundação Getulio Vargas. A dispersão das estimativas mostra que, embora a desaceleração seja consensual, ainda há incerteza sobre a intensidade com que os juros elevados atingiram a economia no período.
“O resultado deve confirmar um esfriamento na margem, consistente com a perda de tração observada ao longo dos últimos meses”, afirmou Leonardo Costa, economista do ASA.
Indústria e serviços devem evitar resultado mais fraco
Pela ótica da oferta, a indústria deve ter sido um dos principais vetores positivos do PIB. O Itaú BBA estima crescimento de 2,5% ante o segundo trimestre de 2025, acima da expansão de 1,6% registrada nos três primeiros meses do ano.
A indústria de transformação deve ter sido favorecida pela produção de automóveis e de derivados de petróleo. A atividade extrativa também permaneceu resiliente, impulsionada pela produção recorde de petróleo, embora parcialmente compensada pelo desempenho mais fraco da mineração.
Fonte: br.investing
