Soberania e Segurança Nacional: a nova janela de oportunidade, por Luís Nassif
Nos últimos meses, o Brasil começou a reencontrar sua autoestima. A postura firme do presidente Lula diante da ofensiva internacional liderada por Donald Trump, somada à atuação decisiva do Supremo Tribunal Federal no julgamento do golpe de 8 de janeiro e na regulação das big techs, sinalizou que o país está disposto a retomar o controle sobre seu destino.
A ofensiva da Polícia Federal contra o crime organizado infiltrado nas estruturas econômicas e políticas — inclusive na Faria Lima e na Câmara dos Deputados — reforça essa virada institucional. Pela primeira vez em anos, a sensação de impotência começa a dar lugar à confiança.
Mas essa reconstrução precisa ir além dos símbolos. O Brasil está diante de uma nova rodada econômica global, marcada por três ativos estratégicos: terras raras, energia verde e capacidade científico-tecnológica. E é aqui que entram os dois conceitos centrais para o futuro do país: soberania e segurança nacional.
O agronegócio brasileiro é um caso exemplar de sucesso técnico e fracasso estratégico. Graças à Embrapa, o país se tornou líder mundial em produtividade. Mas sem uma política industrial clara, seguimos como exportadores de commodities — soja, café, carne — sem agregar valor, sem formar cadeias produtivas, sem reter tecnologia.
Agora, o risco é repetir esse modelo com terras raras e data centers. O caminho aparentemente em curso — facilitar a entrada de capital estrangeiro com foco na exportação — é o mesmo roteiro extrativista que nos condena à dependência.
Fonte: jornalggn
