Produtores de café robusta no Brasil priorizam qualidade em meio a preços altos e preocupações climáticas
Extracremoso, com aroma de nibs de cacau, o café não apresenta a acidez característica tão apreciada nos cafés feitos com os melhores grãos de arábica.
Isso porque este espresso premium é feito com 100% de grãos robusta, no passado um ingrediente barato, mais usado para café solúvel.
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“É um café que produz uma crema maravilhosa… e tem notas muito mais achocolatadas”, disse Marco Kerkmeester, cofundador da rede de cafeterias Santo Grão, destacando o apelo de uma bebida chamada, de forma bem-humorada, de “0% arábica”.
Mudanças na fazenda
Com as mudanças climáticas ameaçando os grãos de arábica, tradicionalmente usados em cafés especiais, os produtores brasileiros de robusta estão investindo em técnicas de colheita e secagem para produzir um grão de alta qualidade que agrade aos consumidores mais exigentes.
O Brasil é o segundo maior produtor mundial de robusta, depois do Vietnã, e o principal produtor de arábica.
No entanto, um estudo de 2022 constatou que mais de três quartos das melhores terras do Brasil para o cultivo de café arábica podem se tornar impróprias para o cultivo até 2050 devido ao aumento das temperaturas e à seca.
Com os preços e o consumo globais de café atingindo recordes neste ano em meio a tensões comerciais e eventos climáticos extremos, os grãos de robusta premium também oferecem aos torrefadores uma maneira de reduzir o custo dos blends de espresso com arábica, que é mais caro.
“Meu pai é da região de montanhas onde já produzem arábica e de alta qualidade”, disse Lucas Venturim, um cafeicultor que produz a cerca de 805 quilômetros de distância, no Estado do Espírito Santo, cujos grãos foram usados naquele café expresso servido em uma esquina da Oscar Freire.
“Ele nunca aceitou que o conilon é ruim porque é conilon. O arábica também não é bom porque é arábica. Aí ele colocou isso na cabeça da gente — se vocês produzirem também com esse trato diferenciado, vocês também vão conseguir uma qualidade diferenciada no conilon”, revelou Venturim.
Seguindo essa mesma linha, a Specialty Coffee Association (SCA), que define os padrões globais para cafés especiais, revisou este ano seu curso de avaliação para atrair potenciais avaliadores de grãos de arábica e robusta.
Agora, qualquer pessoa treinada para avaliar cafés de alta qualidade poderá descrever e premiar com precisão as bebidas merecedoras, independentemente da espécie ou tipo de grão.
“Nós percebemos a tendência”, disse Kim Ionescu, diretora de desenvolvimento estratégico da SCA, citando, por exemplo, a crescente demanda do consumidor por robusta premium no Sudeste Asiático. “Parece que a espécie não é o critério que devemos usar para definir o que é especial ou não.”
Em 2026, a SCA começará a revisar o léxico de descritores de sabor usados pelos avaliadores de café para incluir atributos associados à robusta de alta qualidade, como especiarias aromáticas.
Marcas como a Nguyen Coffee Supply, que oferece robusta de qualidade do Vietnã, já abriram caminho nos EUA, enquanto cafeterias de Londres a Berlim estão destacando as qualidades refinadas da robusta.
Fonte: moneytimes
