Onde R$ 1 vira R$ 17: americanos descobrem segredo da revolução agrícola brasileira
Um artigo publicado, intitulado (em tradução livre) “P&D públicos aliados ao desenvolvimento econômico: a Embrapa e a revolução agrícola brasileira”, destaca o custo-benefício do investimento, que teria uma relação média de 17 para 1. Isso significa que para cada R$ 1 investido na Embrapa, R$ 17 retornaram à sociedade em benefícios.
Ainda conforme os autores, os pesquisadores da Embrapa foram capazes de redirecionar o foco da pesquisa para a ciência e tecnologia localmente relevantes, superando o que os acadêmicos chamam de “armadilha do desajuste tecnológico”.
Os trabalhos foram direcionados explicitamente às condições ecológicas particulares do Brasil, como biomas, pragas e patógenos importantes regionalmente. A Embrapa conseguiu superar as restrições de produtividade em regiões mais remotas e com capacidade de pesquisa preexistente limitada.
“Utilizando dados em nível de pesquisador, compilados a partir dos currículos de todos os cientistas agrícolas no Brasil, mostramos que a Embrapa redirecionou a pesquisa para as culturas básicas localmente importantes e para as condições ecológicas particulares do Brasil, em parte, ao sustentar pesquisa produtiva mesmo em regiões remotas e com escassez de pesquisa”, diz trecho do material.
Os autores afirmam que trabalhar em um laboratório da Embrapa levou a um aumento na produtividade dos pesquisadores, revertendo a desvantagem que existia fora dos grandes centros de pesquisa.
“A associação positiva entre o emprego na Embrapa e a produtividade de pesquisa, estimada na amostra completa, é impulsionada quase inteiramente pelo efeito da Embrapa fora dos hubs de pesquisa tradicionais”, escrevem.
A inovação foi dirigida aos grãos básicos e culturas prioritárias para a segurança alimentar, como feijão, mandioca, milho, arroz, soja e trigo. Os resultados mostram que o aumento da produtividade foi mais pronunciado e significativo exatamente para essas culturas que foram o foco explícito da inovação da empresa.
O crescimento na produtividade não foi apenas residual, mas impulsionado pela adoção de tecnologias da Embrapa. O aumento da exposição à pesquisa da Embrapa levou a maior uso de insumos intermediários, como fertilizantes, sementes e produtos químicos, áreas centrais do desenvolvimento tecnológico da corporação.
Além disso, a similaridade ecológica entre os municípios e os laboratórios de pesquisa da Embrapa foi um forte preditor da difusão de novas variedades de sementes.
O trabalho corrobora a eficácia de inovações específicas que otimizaram o uso da terra, promovendo um modelo de crescimento vertical (baseado em tecnologia) em vez de horizontal (expansão de área).
Entre as tecnologias de destaque, são citadas a integração lavoura-pecuária-floresta e as inovações em plantio direto, que proporcionam resiliência ao sistema produtivo e mitigam impactos das mudanças climáticas.
