O país que domina o mercado mundial de trigo: mais de produz e exporta mais de 90 milhões de toneladas por ano 

Poucos alimentos são tão estratégicos para a segurança alimentar global quanto o trigo. Base da produção de pães, massas, biscoitos e inúmeros produtos industrializados, o cereal está diretamente ligado à estabilidade social e econômica de dezenas de países. Nesse cenário, a Rússia se consolidou como a principal potência mundial do trigo, assumindo uma posição dominante tanto na produção quanto, principalmente, na exportação do grão.

Nas últimas safras, o país passou a produzir volumes superiores a 90 milhões de toneladas por ano, exportando regularmente entre 45 e 55 milhões de toneladas, números que colocam a Rússia à frente de concorrentes tradicionais como Estados Unidos, Canadá, União Europeia e Austrália. Essa liderança não se explica apenas pelo tamanho territorial, mas por uma combinação de produtividade agrícola, logística estratégica e posicionamento geopolítico.

Como a Rússia se tornou a maior potência global do trigo

A virada russa no mercado de trigo começou a se consolidar a partir dos anos 2000, quando o país passou a investir fortemente na modernização do campo após o colapso da União Soviética. Regiões como Krasnodar, Rostov, Stavropol e Volgogrado tornaram-se verdadeiros cinturões produtores, com solos férteis, clima favorável e adoção crescente de tecnologia agrícola.

O trigo russo se beneficia de grandes extensões contínuas de terras agrícolas, permitindo produção em escala continental, mecanização intensiva e custos médios mais baixos por tonelada produzida. Esse fator é decisivo para a competitividade do grão no mercado internacional.

Produção gigantesca e exportações que moldam o mercado global

Atualmente, a Rússia responde por cerca de 20% a 25% de todo o trigo comercializado no mundo. Em alguns mercados específicos, como o Norte da África e o Oriente Médio, essa participação é ainda maior. Países como Egito, Turquia, Irã, Argélia e Bangladesh estão entre os principais compradores do trigo russo.

O impacto é tão relevante que qualquer variação na safra russa — seja por clima, política interna ou restrições comerciais — provoca oscilações imediatas nos preços internacionais, afetando desde grandes indústrias até o consumidor final em países importadores.

Um dos grandes trunfos da Rússia está na sua logística de exportação altamente direcionada ao trigo. O país opera corredores eficientes que ligam as regiões produtoras aos portos do Mar Negro, especialmente Novorossiysk, Taman e Rostov-on-Don.

A partir desses terminais, o grão segue em navios graneleiros para a Europa, África e Oriente Médio, cobrindo três continentes de forma direta.

Essa posição geográfica reduz custos de frete para mercados estratégicos, tornando o trigo russo extremamente competitivo frente a produtores localizados mais longe dos grandes centros importadores.

Embora países como Estados Unidos, China e Índia também colham volumes expressivos de trigo, há uma diferença fundamental: grande parte da produção desses países é consumida internamente.

A Rússia, por outro lado, direciona uma fatia muito maior de sua colheita ao mercado externo, o que a transforma no principal fornecedor internacional efetivo.

A União Europeia aparece como concorrente relevante, mas enfrenta custos mais altos, regras ambientais rigorosas e produção fragmentada entre vários países, o que dificulta uma resposta tão agressiva quanto a russa no mercado global.

fONTE: CLICKPETROLEOEGAS