‘Nunca tínhamos visto uma inflação assim’, diz presidente da Nestlé Brasil sobre o cacau e café
A disparada inédita dos preços de matérias-primas como cacau e café colocou a operação brasileira da Nestlé Brasil diante de um dos seus maiores desafios recentes: crescer em valor sem perder volume — um equilíbrio essencial para manter a eficiência das fábricas.
Apesar de ter registrado crescimento de dois dígitos em receita no último ano, a pressão de custos em 2025 provocou retração em volumes vendidos — um sinal de alerta para uma operação industrial desenhada para escala.
“Temos crescimento em valores, mas, com essa inflação, estamos decrescendo em volume. E isso é muito sério, porque, se o volume cai, nossas fábricas ficam ineficientes — e isso não podemos permitir”, disse o executivo.
Na prática, perder volume não significa apenas vender menos. Em uma multinacional como a Nestlé, a ociosidade industrial eleva o custo unitário, reduz competitividade e compromete margens em um mercado altamente disputado.
Cerca de 70% do cacau utilizado pela Nestlé no Brasil vem de lavouras nacionais; os outros 30% são importados, principalmente da Costa do Marfim e de Gana, na África Ocidental. A alta global do insumo levou a empresa a acelerar iniciativas para fortalecer a produção local. O objetivo é levar o cacau ao mesmo nível de sofisticação já alcançado pelo café e pelo leite na companhia. No café, a estratégia já está mais madura.
“Todo o café que compramos e usamos no Brasil é certificado. Ele está no que nós chamamos de Coffee Plan”, diz o CEO, referindo-se ao programa global da companhia para rastreabilidade, qualidade e sustentabilidade da cadeia.
Fonte: exame
