Guerra dos chips: Brasil sela acordo estratégico com potência tecnológico para driblar EUA
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, foi informado neste sábado (1º) pelo embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, que o governo chinês abrirá canais de diálogo com o setor automotivo nacional para prevenir o desabastecimento de semicondutores usados na produção de veículos flex.
A iniciativa busca reduzir o risco de escassez de chips, resultado das disputas comerciais e tecnológicas entre China e Estados Unidos, que têm afetado a cadeia global de fabricação de semicondutores.
Desde a pressão do governo dos EUA contra a Holanda pelo controle da fabricante de semicondutores Nexperia, o mundo tem enxergado com tensão o abastecimento de chips para tecnologia e indústria.
Segundo o ministério, o anúncio ocorre após reunião realizada na terça-feira (28) entre Alckmin, representantes da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), do Sindipeças, da Abipeças e de entidades de trabalhadores.
Durante o encontro, o grupo solicitou apoio do governo brasileiro para garantir o fornecimento dos componentes, essenciais à produção nacional.
No diálogo com a Embaixada da China, Alckmin pediu que as empresas brasileiras recebam prioridade no fornecimento dos chips. “Trata-se de uma excelente notícia”, afirmou o vice-presidente.
“A cadeia automotiva emprega 1,3 milhão de pessoas e tem impacto direto em outros setores, como siderúrgico, químico, plástico e borracha. Ainda temos de ver como isso se dará na prática, mas hoje demos um passo importante para que a indústria automotiva brasileira continue crescendo e gerando empregos de qualidade”, completou.
Com o compromisso assumido pelo governo chinês, o Brasil busca assegurar estabilidade na produção de veículos e preservar os empregos ligados ao setor, considerado estratégico para a economia nacional.
Os veículos modernos — mesmo os “convencionais” a combustão ou flex — dependem de unidades de controle (ECUs) que monitoram sensores de temperatura, pressão, injeção de combustível, ignição etc. Essas ECUs são implementadas por meio de semicondutores.
Os chips comandam sistemas de frenagem ABS, controle de estabilidade, assistentes de faixa, sensores de colisão etc. Com a transição para elétricos ou híbridos e o forte crescimento de recursos tecnológicos (autonomia, direção assistida, integração “carro-rede”), os semicondutores ganham ainda mais peso. No caso de elétricos, chips específicos gerenciam motor, bateria, potência, recarga, distribuição elétrica.
No contexto brasileiro , garantir o acesso aos chips significa proteger empregos (muitos milhares), a cadeia produtiva (sensores, peças, montagem) e a competitividade do setor.
Fonte: revista forum
