Gigante das cooperativas investe em usina de biodiesel e prevê R$ 14 bilhões/ano de receita
Em meio aos desafios enfrentados pelo agronegócio, como clima instável, câmbio volátil e margens apertadas, a Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano — a Comigo — aposta em um plano estratégico ambicioso para 2025 e os anos seguintes. Com mais de 12 mil cooperados, a quinta maior cooperativa agropecuária do Brasil, sediada em Rio Verde (GO), quer superar os R$ 14 bilhões em faturamento no ano, alicerçada em uma nova planta industrial e com os olhos voltados para o mercado de biodiesel. Expansão industrial e visão no biodiesel Um dos pilares desse crescimento é a construção de uma nova esmagadora de soja, localizada no município de Palmeira de Goiás, com investimento de R$ 1,5 bilhão — valor superior ao previsto inicialmente. A planta terá capacidade para processar 6 mil toneladas de soja por dia, dobrando a atual capacidade da cooperativa de 5,5 mil para 11,5 mil toneladas diárias.
A nova estrutura também abre caminho para um passo inédito e estratégico: a construção de uma usina de biodiesel própria. Segundo o presidente executivo da Comigo, Dourivan Cruvinel, em entrevista exclusiva concedida ao AgFeed, a cooperativa já vende óleo bruto para outras usinas, mas com a ampliação da produção, a viabilidade de produzir seu próprio biocombustível se tornou real.
O projeto ainda está em fase inicial, sem detalhes sobre a capacidade de produção ou valor total do investimento. Mas o local da usina já foi definido: próximo às atuais esmagadoras em Rio Verde, aproveitando a logística consolidada da cooperativa e evitando competir com a nova planta de etanol de milho da Inpasa, também em construção na região.
Diferente de muitas empresas do setor, que enfrentam restrições de crédito e recorrem à recuperação judicial, a Comigo segue na contramão: está capitalizada e faz investimentos majoritariamente com recursos próprios.
Segundo ele, a gestão financeira disciplinada e a proximidade com os cooperados, com histórico individualizado de crédito, são fundamentais para evitar inadimplência e manter a saúde econômica da instituição.
O otimismo não se restringe ao setor industrial. A cooperativa prevê um volume recorde de originação de grãos em 2025, com estimativas de 63 milhões de sacas de soja (+18%) e 24 milhões de sacas de milho (+21%). Essa alta na produção, aliada à diversificação das atividades — que inclui lojas veterinárias, produção de ração, misturadoras de adubo e comercialização de óleo refinado com a marca Comigo —, deve impulsionar o faturamento da entidade. Além disso, estão sendo inaugurados três novos armazéns neste ano, em Palmeira de Goiás, Acreúna e na região de Santa Helena, elevando a capacidade total de armazenagem de 43 milhões para 48 milhões de sacas.
Embora o plano atual seja mais concreto, a ideia de entrar no mercado de biodiesel não é nova para a Comigo. Em 2007, no auge dos incentivos federais ao setor, a cooperativa chegou a anunciar uma usina com capacidade de 100 milhões de litros/ano, mas o projeto não saiu do papel. Agora, com a retomada do crescimento, a confiança do mercado e uma base produtiva robusta, a cooperativa prepara o terreno para finalmente consolidar esse projeto dentro de um novo cenário de transição energética no país.
Fonte: comprerural
