Com 69 milhões de pepinos por safra e estufas de alta tecnologia, a Holanda domina o cultivo
Em um país de clima frio e área limitada, a Holanda transformou estufas em sistemas altamente controlados capazes de entregar milhões de pepinos por safra com regularidade. Em vez de depender do solo e do clima aberto, o produtor passa a controlar luz, água, nutrientes e temperatura para reduzir oscilações e garantir padronização.
Longe da imagem clássica da agricultura de campo, esse modelo combina cultivo em arame alto, substratos de fibra biológica, irrigação de precisão e luzes LED direcionadas. Nas estufas holandesas, quase nada é deixado ao acaso: da germinação das sementes ao momento em que o pepino é classificado em esteiras automatizadas, tudo segue um fluxo planejado para manter o ritmo da colheita contínua.
Nesses ambientes, máquinas e equipamentos modernos apoiam o produtor em praticamente todas as etapas, desde a movimentação das bandejas de mudas até o transporte dos frutos colhidos para triagem e embalagem.
Ao concentrar a produção sob cobertura, é possível organizar a safra com muita precisão.
Em vez de depender de janelas climáticas, as estufas permitem duas grandes safras por ano com o método de arame alto, e, em operações mais intensivas, até três ou quatro ciclos em sequência.
Essa lógica é o que sustenta o volume impressionante de milhões de pepinos por safra só dentro de um único complexo produtivo.
Além da infraestrutura física, a Holanda opera como um polo de tecnologia agrícola: sistemas de monitoramento, controle de clima e automação de movimentação interna tornam viável manter a produtividade mesmo em períodos de inverno rigoroso, quando o cultivo ao ar livre praticamente para.
O ciclo começa nas mudas de pepino, cultivadas sem uso de solo.
As sementes são semeadas em pequenos blocos, que depois serão acomodados em mantas de fibra biológica, frequentemente à base de fibra de coco, no interior da estufa principal.
Esse substrato substitui a terra tradicional e permite uma irrigação muito mais controlada.
Logo nos primeiros dias, entram em ação os sistemas de fertirrigação: água e nutrientes são bombeados diretamente para as raízes, em dosagens definidas de acordo com a fase da planta.
A fibra biológica funciona como suporte físico e como reserva de umidade, mantendo um ambiente estável em torno do sistema radicular.
Após cerca de duas semanas, as mudas atingem porte suficiente para serem transferidas para a área definitiva de cultivo, um espaço tão amplo que frequentemente precisa de bicicleta para deslocamento interno.
Em algumas fazendas, meio milhão de plantas de pepino compartilham o mesmo conjunto de estufas, compondo a base de milhões de pepinos por safra quando todas entram em produção.
Arame alto, manejo diário e plantas que nunca param de subir
Uma vez estabelecidas nos tapetes de fibra, as plantas passam a crescer guiadas por cordas fixadas em um arame alto instalado a 4 ou 5 metros de altura.
O chamado sistema high-wire transforma cada planta em uma coluna produtiva vertical, ocupando pouco espaço no chão e aproveitando ao máximo a altura da estufa.
Logo após o plantio definitivo, cada muda recebe sua corda de sustentação.
O manejo passa a incluir duas rotinas fundamentais: enrolar a planta na corda e abaixá-la periodicamente, à medida que atinge o arame superior.
Quando chega ao topo, o barbante é “descido”, e o caule continua seu caminho, permitindo prolongar o ciclo sem replantio imediato.
Em paralelo, muitos produtores adotam poda seletiva em estruturas elevadas, removendo folhas e ramos que não contribuem diretamente para a produtividade.
O objetivo é direcionar energia para flores e frutos, mantendo ventilação adequada.
Cerca de três a quatro semanas após o plantio na estufa principal, as plantas começam a florescer e a formar frutos, cada uma com potencial para dezenas de pepinos ao longo do ciclo.
Luzes LED, clima controlado e colheita contínua
Para sustentar esse ritmo, as estufas holandesas combinam luz natural com luzes LED distribuídas sobre as fileiras de plantas, especialmente úteis nas noites longas e dias nublados.
Esse reforço luminoso ajuda a manter fotossíntese ativa e crescimento constante, protegendo o cronograma de produção contra variações climáticas externas.
Com o microclima ajustado, a colheita passa a ocorrer em janelas regulares.
Trabalhadores percorrem as linhas com carrinhos e facas, cortando manualmente os pepinos no ponto ideal, quando estão com coloração uniforme e aproximadamente 35 a 40 centímetros de comprimento.
O padrão visual e dimensional é fundamental para que cada caixa entregue ao mercado mantenha a mesma aparência.
Assim, o que sustenta milhões de pepinos por safra não é apenas a tecnologia isolada, mas a combinação de manejo diário, luz suplementar, irrigação precisa e genética selecionada, operando como uma linha de montagem viva dentro da estufa.
Seleção, embalagem e preparação da próxima safra
Depois de colhidos, os frutos seguem para áreas de triagem e embalagem.
Esteiras transportadoras modernas levam os pepinos por um circuito em que braços robóticos fazem a separação por tamanho e peso, enquanto operadores humanos garantem o controle de qualidade final, retirando qualquer unidade fora do padrão.
Na sequência, os lotes são organizados em caixas e embalagens específicas, prontas para distribuição.
A mesma infraestrutura que processa milhões de pepinos por safra também precisa se preparar rapidamente para o ciclo seguinte: ao fim da temporada, todas as plantas antigas são removidas, os sistemas são limpos e o telhado da estufa é lavado para maximizar a entrada de luz na próxima rodada de cultivo.
Esse giro rápido entre uma safra e outra reforça a lógica de produção contínua: o intervalo entre a última colheita e o plantio de novas mudas é reduzido ao mínimo, mantendo o fluxo de pepinos para o mercado e diluindo custos fixos de infraestrutura ao longo do ano.
Fonte: clickpetroleoegas
