Aeromot investe R$ 3 bilhões em nova fábrica de aviões no RS onde produzirá inovadora aeronave movido a etanol

O Rio Grande do Sul vai se tornar o novo polo da indústria aeronáutica brasileira com o ambicioso projeto AeroCITI — um complexo industrial avaliado em R$ 3 bilhões que promete transformar Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre, em referência continental em tecnologia e inovação aeronáutica. A iniciativa é liderada pela Aeromot S.A., representante exclusiva da fabricante austríaco-canadense Diamond Aircraft no Brasil desde 2016, e prevê a produção nacional do sofisticado bimotor Diamond DA62, conhecido como o “SUV dos ares”, além do desenvolvimento da primeira aeronave de transporte movida a etanol do mundo.

O AeroCITI (Aero Centro Integrado de Tecnologia e Inovação) ocupará uma área de 540 hectares e reunirá fábrica, centro de pesquisa, hangares, laboratórios de combustíveis sustentáveis, espaços de inovação e um museu de aviação a céu aberto com 24 mil m². Segundo a Aeromot, o objetivo é transformar o Rio Grande do Sul em um polo de mobilidade aérea sustentável e avançada, capaz de atender o mercado brasileiro e países do Mercosul.

O projeto conta com apoio do governo estadual e incentivos fiscais municipais, além de parcerias com instituições como a UFRGS, PUC-RS, Ulbra e o Parque Tecnológico de São José dos Campos.

O início da produção do DA62 está previsto para 2027, em uma fase inicial de montagem com componentes importados. A expectativa é que, até 2032, o complexo alcance capacidade plena para fabricar cerca de 50 aeronaves por ano. O modelo DA62, com sete assentos e desempenho elevado, já é um sucesso de vendas no país — mais de 100 unidades foram importadas pela Aeromot — e a produção nacional deve reduzir o prazo de entrega de 27 para aproximadamente 9 meses.

Segundo o CEO da Aeromot, Guilherme Cunha, o projeto simboliza uma virada de página na história da aviação leve no Brasil. “A Diamond tem capacidade produtiva limitada na Europa, e a transferência de tecnologia para o Brasil permitirá atender toda a América do Sul com menor custo e prazo. Nosso objetivo é criar um produto nacional competitivo e sustentável, com acesso a financiamento local”, afirmou o executivo.

Além da linha do DA62, a Aeromot trabalha em parceria com a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) no desenvolvimento de uma aeronave bimotora de transporte movida a etanol — um marco inédito no setor. Embora o uso do combustível seja comum em aeronaves agrícolas, como o Embraer Ipanema, essa será a primeira aplicação em um avião executivo. O projeto busca antecipar a transição da aviação para combustíveis renováveis, em sintonia com metas globais de descarbonização.

Estudos recentes publicados por instituições internacionais apontam que os combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) podem reduzir até 80% das emissões de carbono no ciclo de vida, e o Brasil, com sua experiência em biocombustíveis, tem potencial para se tornar um grande fornecedor regional. A indústria de SAF no país deve começar a operar em escala comercial a partir de 2027, com expectativa de atingir quase 3 milhões de metros cúbicos produzidos até 2033.

A Aeromot, fundada em 1967, tem longa trajetória na aviação brasileira. Além de representar marcas internacionais, já produziu aeronaves como o Guri e o Ximango, usados em forças aéreas e escolas de aviação em vários países. Também atua em projetos de modernização, blindagem e integração de sistemas para aeronaves da Polícia Federal e de forças de segurança estaduais.

Fonte: cavok