Brasil pode responder por 73% das exportações globais de açúcar bruto e ampliar protagonismo em 2027
O Brasil deve ampliar sua importância no abastecimento mundial de açúcar em 2027, diante da perspectiva de redução da oferta em importantes países produtores e exportadores. Estimativas da StoneX indicam que o país poderá responder por 73% das exportações globais de açúcar bruto na safra 2026/27 (outubro a setembro), ante 68% no ciclo anterior. O cenário reforça o protagonismo brasileiro em um mercado que volta a se preocupar com a disponibilidade do produto.
Segundo Marcelo Di Bonifacio Filho, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, a menor produção esperada na União Europeia, na Índia e na Tailândia deve aumentar a necessidade de importações e ampliar a procura pelo açúcar brasileiro. Ao mesmo tempo, os efeitos do El Niño sobre as lavouras e as chuvas excessivas no Centro-Sul do Brasil contribuem para sustentar os preços internacionais.
“Em resumo, o Brasil ficará ainda mais protagonista no mercado de açúcar em 2027”, afirma o analista.
A perspectiva de maior demanda internacional é um dos fatores que ajudam a explicar a recuperação das cotações em Nova Iorque desde agosto, após um período em que os preços ficaram próximos de 14 centavos de dólar por libra-peso.
Na União Europeia, a quebra nas lavouras de beterraba deve reduzir a produção de açúcar em mais de 3 milhões de toneladas na safra 2026/27, conforme as estimativas citadas pela StoneX. Com menos produto disponível, o bloco tende a ampliar as importações e reduzir seu excedente exportável.
Na Ásia, as perspectivas também são de restrição da oferta. A Índia enfrenta os efeitos de uma temporada de monções com déficit hídrico de 13%, segundo os dados apresentados pelo analista, com impactos importantes nas áreas canavieiras do sul e do oeste do país.
Para preservar o abastecimento doméstico de açúcar, a expectativa é que o país não produza etanol de cana na safra 2026/27. No ciclo anterior, a produção indiana desse biocombustível chegou a aproximadamente 2,7 bilhões de litros.
A Tailândia, por sua vez, poderá registrar uma queda de 2 milhões a 3 milhões de toneladas na produção de açúcar. Após produzir 12 milhões de toneladas em 2025/26, o país deve reduzir sua disponibilidade para exportação em cerca de 2 milhões de toneladas.
“Tailândia, que é um grande exportador, vai então deixar de exportar 2 milhões de toneladas de açúcar, e é um número relevante pensando, por exemplo, no impacto que já vai vir pela União Europeia”, explica Di Bonifacio Filho.
Com a redução da oferta desses fornecedores, o Brasil ganha espaço para atender à demanda internacional. A menor disponibilidade de açúcar branco no Hemisfério Norte também pode aumentar a necessidade de matéria-prima para as refinarias, favorecendo a procura pelo açúcar bruto brasileiro, conhecido como VHP.
Fonte: noticiasagricolas
