EUA anunciam data center de IA no Paraguai movido a energia de Itaipu; Brasil fica fora do comunicado
O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou na quarta-feira (21) que a empresa americana Crusoe e a desenvolvedora paraguaia Araico firmaram uma parceria estratégica para construir infraestrutura de computação de alto desempenho voltada à inteligência artificial, alimentada pela eletricidade da Usina Hidrelétrica de Itaipu. A Crusoe confirmou o acordo em comunicado oficial nesta quinta-feira.
O anúncio ocorreu ao fim da visita do vice-secretário de Estado, Christopher Landau, a Assunção, entre segunda e quarta-feira, quando se reuniu com o presidente Santiago Peña e com o chanceler Rubén Ramírez Lezcano. Em publicação na rede X, Landau afirmou que investidores americanos haviam assinado o acordo para erguer o centro de dados nas proximidades da usina, aproveitando a abundância de energia hidrelétrica. Segundo relatos da imprensa, o diplomata declarou que o empreendimento tem potencial para se tornar o maior investimento privado estrangeiro da história do Paraguai.
O secretário assistente Juan Pablo Segura, por sua vez, apresentou Itaipu como prova do potencial paraguaio como polo energético regional, capaz de oferecer a empresas americanas energia acessível e confiável.
Pelos termos divulgados pela Crusoe, a Araico ficará responsável pelo desenvolvimento local e pela infraestrutura do terreno, situado junto a uma subestação de Itaipu, enquanto a Crusoe vai instalar, gerenciar e operar os equipamentos de computação, que serão comercializados por meio de sua plataforma Crusoe Cloud. A instalação deverá atender tanto clientes de nuvem nos Estados Unidos quanto a demanda crescente na América Latina. Trata-se da primeira implantação dedicada da Crusoe na região.
A primeira fase deve entrar em operação em meados de 2027. Segundo a empresa, o projeto tem potencial para chegar a 106 MW de capacidade de TI, com opções de longo prazo que levariam o total a aproximadamente 280 MW.
A eletricidade será fornecida pela Administração Nacional de Eletricidade (ANDE), a estatal que opera a rede paraguaia, a partir da cota do Paraguai em Itaipu. De acordo com o sindicato dos trabalhadores da ANDE, o fornecimento começaria com 6 MW no primeiro ano e subiria gradualmente até o teto de 280 MW.
Fonte: forte.jor
