Brasil exporta 5 milhões de toneladas de milho a menos entre julho e setembro e aumenta desafio para atingir 38 mi no ciclo
As exportações brasileiras de milho perderam força justamente nos meses de maior disponibilidade da segunda safra e acumularam, entre julho e setembro, uma diferença de pouco mais de 5 milhões de toneladas em relação ao mesmo período de 2025. O movimento reverteu a vantagem que o país ainda carregava no acumulado do ano e aumentou o desafio para que os embarques se aproximem de 38 milhões de toneladas no atual ciclo comercial.
Dados fechados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil exportou 5,21 milhões de toneladas de milho em setembro, contra 7,56 milhões no mesmo mês do ano passado, redução de 31,08%. A diferença permanece expressiva mesmo considerando o menor número de dias úteis neste ano, já que a média diária passou de 343,77 mil toneladas em setembro de 2025 para 248,19 mil toneladas em setembro deste ano, queda de 27,80%.
Em receita, os embarques renderam US$ 1,24 bilhão no mês, 17,04% abaixo dos US$ 1,50 bilhão registrados um ano antes. A redução menor do faturamento em relação ao volume foi compensada pelo preço médio, que passou de US$ 198,45 para US$ 238,88 por tonelada, alta de 20,37%.
O resultado de setembro reforça um movimento que já vinha aparecendo desde julho e ganhou força em agosto. Nos três meses, o Brasil embarcou aproximadamente 11,81 milhões de toneladas de milho, ante 16,85 milhões no mesmo intervalo de 2025, uma diferença de cerca de 5,04 milhões de toneladas, ou quase 30%. Em julho, o déficit havia sido de aproximadamente 490 mil toneladas, saltou para cerca de 2,19 milhões em agosto e alcançou 2,35 milhões em setembro.
A sequência negativa mudou também a fotografia do acumulado de 2026. Até julho, as exportações brasileiras ainda superavam as registradas no mesmo período do ano anterior. Após as perdas de ritmo em agosto e setembro, o volume embarcado entre janeiro e o final do terceiro trimestre chegou a aproximadamente 19,70 milhões de toneladas, contra 23,31 milhões em igual período de 2025, diferença de cerca de 3,61 milhões de toneladas.
Concorrência externa ajuda a explicar perda de ritmo
A desaceleração ocorre em um cenário de maior competição internacional pelo mercado de milho. Em entrevista ao Notícias Agrícolas, Luiz Fernando Gutierrez, Coordenador de Inteligência de Mercado na Hedgepoint, destacou que a Argentina ampliou sua competitividade e disputa alguns dos mesmos destinos atendidos pelo produto brasileiro. O analista também chamou atenção para a redução da demanda iraniana pelo milho do Brasil em meio aos problemas logísticos e ao conflito no Oriente Médio.
Com embarques abaixo do esperado, projeções que anteriormente trabalhavam com exportações brasileiras entre 42 milhões e 43 milhões de toneladas passaram a se aproximar de 38 milhões de toneladas. A pressão argentina também foi destacada por Eduardo Vanin, Analista de mercado da Marex e da Agrinvest, que estima produção entre 68 milhões e 72 milhões de toneladas no país vizinho, com um programa de exportações próximo de 43 milhões de toneladas entre março e fevereiro.
Segundo Vanin, grande parte desse volume argentino já estaria registrada para exportação, aumentando a presença do país nos destinos internacionais justamente enquanto o Brasil tenta acelerar o escoamento da segunda safra. O analista havia estimado que a soma dos embarques brasileiros de julho, agosto, setembro e outubro poderia ficar cerca de 6 milhões de toneladas abaixo do mesmo período de 2025. Com setembro fechado, aproximadamente 5 milhões de toneladas dessa diferença já se materializaram nos três primeiros meses do intervalo.
O câmbio pode acrescentar dificuldade à competitividade brasileira. A valorização recente do real reduz a conversão dos preços internacionais para a moeda brasileira e pode diminuir a capacidade do milho nacional de competir no mercado externo. Yeda Monteiro, Analista de Inteligência e Estratégia da Biond Agro, também destacou ao Notícias Agrícolas que Estados Unidos e Argentina apresentam maior competitividade e que os compradores internacionais encontram alternativas ao produto brasileiro. Além da menor participação do Irã, os demais destinos estão mais pulverizados e podem escolher entre diferentes origens de acordo com os preços oferecidos.
Fonte: noticiasagricolas
