Pedidos de recuperação judicial no agronegócio sobem 22% no 1º trimestre, diz Serasa
A crise financeira do agronegócio seguiu piorando no início deste ano: no primeiro trimestre, houve 474 pedidos de recuperação judicial de produtores rurais e empresas do setor, um salto de 21,9% ante os três primeiros meses de 2025, informou a consultoria de dados Serasa Experian.
O movimento, que disparou de 2024 em diante, reflete um quadro de margens apertadas, que assola os produtores há duas safras. E tende a piorar neste ano, mesmo com a produção recorde.
Isso porque a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã elevaram ainda mais o custo dos insumos, como fertilizantes e combustíveis, que já vinham em alta, ao mesmo tempo em que as cotações de grãos como soja e milho estão pressionadas para baixo.
Mesmo que as fazendas colham mais grãos, o que sobra para o bolso do produtor mal fecha as contas.
Juros elevados atrapalham
Os juros elevados também entram na equação, porque elevam os custos financeiros para os produtores, ressaltou o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, em nota divulgada pela consultoria.
“O ambiente de crédito mais seletivo, combinado à manutenção de custos elevados de produção e ao maior nível de alavancagem dos produtores, continuou afetando o fluxo de caixa no campo”, diz a nota.
Ainda assim, Pimenta ressaltou que os dados do primeiro trimestre não foram tão ruins quando os de meados do ano passado. No segundo trimestre de 2025, foram 565 pedidos de recuperação judicial. No terceiro trimestre, 628.
No ano passado como um todo, o número de pedidos de recuperação bateu o recorde desde que a Serasa Experian passou a monitorar os processos. Foram 1.990 pedidos, salto de 56% ante 2024.
“Daqui para o meio e o fim do ano, a evolução do cenário dependerá da capacidade de geração de receita, do comportamento das margens e das condições de renegociação dos compromissos. Por isso, reforçamos que renegociar e manter um planejamento financeiro deve ser prioridade enquanto a recuperação judicial precisa permanecer como o último recurso”, afirma Pimenta, na nota.
Fonte: INFOMONEY
