Com projeto de US$ 30 bilhões, Dinamarca cria ilha de energia para abastecer milhões na Europa

Em meio à crescente instabilidade nos mercados globais de energia, agravada pela guerra envolvendo o Irã, a Europa acelera projetos estruturais para reduzir sua dependência de combustíveis fósseis e fornecedores externos.

Um dos mais ambiciosos é a construção da primeira “ilha de energia” do mundo, liderada pela Dinamarca, no Mar do Norte.

Com custo estimado superior a 30 bilhões de dólares, quase 160 bilhões de reais, o projeto prevê a criação de uma plataforma artificial capaz de concentrar, converter e distribuir energia eólica offshore em escala continental, um modelo que pode redefinir a matriz energética europeia nas próximas décadas.

Diferentemente dos parques eólicos tradicionais, a chamada “Energy Island” não será apenas um conjunto de turbinas conectadas à costa.

A estrutura funcionará como um hub energético em alto-mar, reunindo eletricidade gerada por dezenas de parques ao redor e redistribuindo-a para múltiplos países.

A energia será convertida em corrente contínua de alta tensão (HVDC), tecnologia que reduz perdas na transmissão de longa distância e permite integração entre diferentes sistemas elétricos nacionais. Na prática, trata-se de uma central de distribuição marítima, capaz de conectar produção e consumo em escala regional, um avanço considerado estratégico em um continente fragmentado em redes nacionais.

Com capacidade prevista de até 10 gigawatts (GW), o projeto equivale à produção combinada de dezenas de parques eólicos convencionais.

Para efeito de comparação, muitos parques offshore atuais operam com capacidade entre 300 e 500 megawatts.

A energia gerada pode abastecer até 10 milhões de residências, colocando o empreendimento entre os maiores projetos de infraestrutura energética do mundo.

Mais do que volume, o diferencial está na lógica de integração: ao centralizar a distribuição, o sistema reduz custos, aumenta eficiência e permite expansão modular conforme novos parques forem conectados.

Fonte: veja.abril