O desembolso de crédito rural caiu 12,5% nos primeiros meses da safra 2025/26
O desembolso do crédito rural no Brasil, no contexto do Plano Safra 2025/26, mostrou uma queda significativa. Até janeiro de 2026, foram liberados R$ 207,88 bilhões, o que representa um recuo de 12,5% em relação ao mesmo período da safra anterior (2024/25). Os financiamentos foram distribuídos entre custeio, investimento e comercialização, com uma redução de 23% nos financiamentos de custeio e 22,5% nas linhas de investimento.
A demanda por novos financiamentos tem diminuído devido a juros elevados e um ambiente econômico adverso. O recuo acontece porque os produtores estão mais endividados e preferem adiar novos empréstimos, esperando por juros menores no futuro.
A maior queda foi nos bancos públicos, que liberaram R$ 101 bilhões — bem menos que os R$ 134 bilhões do ciclo anterior. Com o caixa apertado e os juros altos, muitos agricultores estão focando em renegociar dívidas antigas em vez de comprar novas máquinas ou ampliar a produção.
Apesar da queda geral, as cooperativas de crédito foram na contramão e cresceram 10%. Elas se tornaram a saída para pequenos e médios produtores que buscam socorro financeiro para manter o plantio e o custeio da lavoura durante este período de incerteza.
Levantamento mais recente do Ministério da Agricultura aponta para R$ 284,08 bilhões liberados no primeiro semestre da safra para agricultura empresarial, até dezembro, incluindo recursos de Cédulas de Produto Rural (CPRs) direcionadas – CPRs de produtores financiadas pelos bancos a partir de recursos captados pela emissão das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs). Considerando os R$ 121,9 bilhões liberados via CPRs de julho a dezembro, há aumento de 3% no desembolso da safra na agricultura empresarial ante o ciclo anterior.
No Plano Safra 2025/26, o governo ofereceu R$ 78,2 bilhões para agricultura familiar, R$ 69,1 bilhões para médios produtores por meio do Pronamp, R$ 258,6 bilhões em recursos para demais produtores e cooperativas e R$ 188,5 bilhões de CPRs originadas de recursos com direcionamento obrigatório para demais produtores. Somando médios e grandes produtores, foram ofertados R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial, incluindo as CPRs direcionadas. No total, o valor ofertado na safra é de R$ 594,4 bilhões.
Fonte: vilamariafm
