Maior exportador do mundo, Brasil transforma algodão em símbolo de sustentabilidade e propósito
O Brasil se consolida como uma potência mundial na cotonicultura, combinando volume, qualidade e sustentabilidade. Desde 2024, o país é o maior exportador e o terceiro maior produtor mundial de algodão, com 4,11 milhões de toneladas produzidas na safra 2024/25 e 2,83 milhões de toneladas exportadas. O destaque não é apenas comercial: a pluma brasileira é a principal matéria-prima da indústria têxtil nacional, que emprega mais de 1,3 milhão de pessoas diretamente. Esses resultados refletem organização e união da cadeia produtiva, liderada pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), que aposta no aumento da produtividade, melhoria da qualidade da fibra, sustentabilidade ambiental e desenvolvimento social.
O país ocupa o topo do ranking mundial de algodão certificado socioambientalmente. Cerca de 83% das fazendas produtoras têm certificação do Programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) e da Better Cotton, o que comprova o cumprimento de 195 critérios de conformidade socioambiental — incluindo gestão da água, conservação da biodiversidade, mitigação climática e manejo integrado de pragas.
Na safra 2023/24, o algodão brasileiro respondeu por 48% das 5,47 milhões de toneladas certificadas no mundo. “O consumidor está cada vez mais exigente em relação à preservação ambiental e às práticas de sustentabilidade. O algodão brasileiro une qualidade e responsabilidade ambiental, o que o torna altamente competitivo no mercado internacional”, destaca Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa.
O diferencial da pluma brasileira está em sua rastreabilidade e certificação integral, garantindo transparência da semente à roupa. Essa rastreabilidade é assegurada por dois programas da Abrapa: Sistema Abrapa de Identificação (SAI): Cada fardo de algodão recebe uma etiqueta com dados da fazenda, certificações e trajetos até o destino final. Sou ABR: Amplia a rastreabilidade até o consumidor final, usando tecnologia blockchain para acompanhar todas as etapas de produção e transformação. “O Sou ABR conecta a cadeia de custódia da fibra, da fazenda à loja. É a garantia de que o algodão usado em uma peça de roupa é 100% rastreável e sustentável”, explica Silmara Ferraresi, diretora de Relações Institucionais da Abrapa.
Marcas como C&A, Renner e Calvin Klein já oferecem produtos com algodão rastreável, reforçando a confiança e o valor agregado ao consumidor.
Além de empregos e capacitação, o algodão impulsiona o desenvolvimento regional. Entre 2013 e 2023, as principais regiões produtoras registraram aumento de 21,3% no Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), atingindo 0,736, acima da média nacional (0,606).
A recuperação do setor, iniciada no fim dos anos 1990, foi impulsionada por inovação e tecnologia. O melhoramento genético elevou a produtividade e reduziu a necessidade de expandir áreas cultivadas — hoje, o algodão ocupa apenas 0,25% do território nacional. Outro avanço foi o cultivo em sequeiro com plantio direto, adotado em 92% das lavouras, o que reduz o uso de água e aproxima o setor da agricultura regenerativa. A qualidade da fibra brasileira é garantida por 14 laboratórios de análise HVI, parte do Programa Standard Brasil HVI (SBRHVI), que certifica dados de qualidade reconhecidos pelos principais compradores internacionais. “O futuro do algodão brasileiro está baseado em sustentabilidade, rastreabilidade e qualidade, com uso intensivo de tecnologia para crescer em harmonia com o meio ambiente e a sociedade”, reforça Portocarrero.
Fonte: comprerural
